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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Big Ben (1965)


Em 1965, a música brasileira estava polarizada entre a turma do samba e a da bossa, que habitava o programa de TV "Fino da Bossa" comandado por Elis Regina e Jair Rodrigues e a galera do rock, que circulava em torno de Roberto Carlos em outro programa de TV, "Jovem Guarda". Imune a praticamente tudo, inclusive às discussões acaloradas que se tratavam na imprensa sobre o sacrilégio ou não de tocar música brasileira em instrumentos elétricos, Jorge Ben Jor era regularmente convidado para os dois programas e em ambos fazia idêntico sucesso, prova eloquente da capacidade contagiante de seu balanço. Big Ben, seu álbum dessa fase, não tem o mesmo brilho de sua performance ao vivo: no repertório, misturam-se canções originais e composições de outras pessoas, numa tentativa de criar um clima de boate, de Beco das Garrafas. Mas o talento original de Jorge acha brechas a toda hora na psicodélica Jorge Well, cantada num inacreditável inglês, no samba-iê-iê-iê O homem que matou o homem que matou o homem mau (uma referência ao western clássico de John Ford, O Homem que Matou o Facínora), na doca Toda Colorida (cujo verso de abertura cita "Don't let the sun catch you crying", da banda inglesa Gerry and The Pacemakers) e no futuro clássico Agora ninguém chora mais.

Retirado do Box Salve, Jorge!, Contracapa do álbum Negro é Lindo

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Negro é Lindo (1971)


A trilogia de Jorge Ben Jor com o Trio Mocotó encerra com o poderoso Negro É Lindo, em 1971, em uma fase da indústria cultural brasileira onde o negro começa a ser percebido com potencial consumidor. Negro É Lindo traz homenagem a Cassius Clay, depois Muhammed Ali e também a João Parnahyba, apelidado de Comanche. Traz declarações de amor à sua querida Maria Tereza Domingas e, ao mesmo tempo, propões um pacto de comunhão de bens à Rita Lee, sua carona dos estúdios pra casa no Brooklin. A diferença em relação aos outros LPs está no  fato deste ser mais centrado no violão e em seus arranjos, possivelmente fruto da sua parceira com Paulinho Tapajós, que dirigiu as gravações entre 71 e 75. No estúdio, Tapajó preferia gravar com Jorge soxinho em cima de um estrado, sob o qual colocava microfones que captavam a batida dos tamancos do artista e o rocçar da palheta sobre as cordas dos violões. A partir dali, os arranjos eram montados. "Com a pulsação dos tamancos, da voz e da palheta, o Jorge se transformava numa máquina de ritmo. Depois eu enfeitava com os outros instrumentos em tessituras que não esabarravam na dele. Gravávamos 30, 40 músicas para um único disco e acredito que ainda deva exisitir muito material inédito. Era a melhor maneira, porque o grande barato do Jorge é a liberdade. Ele não tem disciplina. Então temos de ir atrás dele." Pode-se analisar essa liberdade como uma certa alienação às técnicas e às artificialidades de breque, ou do fim da música, mesmo em LPs gravados ("Em Cima", "Miudinho!"). Junta-se a isso o fato de Ben, apesar de compor letra e música de grande maioria das músicas que cria, não arranjar para outros intrumentos: nessa época, ele toca seu violão cantando e o arranjador (ou o Trio Mocotó) faz o trabalho em cima disso.

Retirado do Box Salve, Jorge!, Contracapa do álbum Negro é Lindo

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Força Bruta (1970)


Foi em 1968, na boate Jogral, point da noite paulistana dos 60, que Jorge Ben Jor cxonheceu o que muitos consideram seu parceiro ideal: o Trio Mocotó. Um inusitado grupo de bateria, cuíca, pandeiro e voz tão afiado e criativo ritmicamente como o próprio Jorge, com quem também compartilhavam uma formação no exigente conservatório da bateria de escola de samba. Um ano depois, Jorge e o Trio Mocotó levantariam e dividiriam o Maracanãzinho com sua interpretação de Charles Anjo 45 no Festival Internacional da Canção; era o início de uma brilhante parceria capturada integralmente, pela primeira vez em Força Bruta. Continuação da guinada criativa iniciada com seu LP anterior, esse disco traz Jorge de volta para casa, para a complexa simplicidade do samba carioca. Gravado em apenas três dias entre Rio e São Paulo, esse trabalho capta toda energia das sessões, largamente improvisadas (Jorge mostrava as músicas ao Trio na hora de gravar). É uma alquimia que brilha em faixas como Oba, lá vem ela, O telefone tocou novamente e Mulher Brasileira, todas sucessos nos primeiros 70.

Retirado do Box Salve, Jorge!, Contracapa o álbum Força Bruta

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Jorge Ben (1969)


Em meados dos anos 60, uma série de escolhas infelizes haviam descarrilhado a carreira ascendente de Jorge Ben Jor. A própria cena musical havia mudado dramaticamente, com caras e ideias novas brotando dos festivais e a Tropicália arrebentando as comportas que aprisionavam os diversos modos de fazer música no Brasil. E foi exatamente a Tropicáliaque contribuiu para o resgatede Jorge, que se viu contratado por Guilherme Araújo e incluído no elenco do programa de TV "Divino, Maravilhoso". Não que os tropicalistas influenciassem Jorge - era o contrário, a música de Ben surgia para eles como a mais perfeita síntese de sua proposta estética. Mas a presença no programa e o convivio com Caetano, Gil e Gal abriram novas possibilidades profissionais e musicais para Jorge, adicionando temas e colaboradores ao seu trabalho. O espetacular Jorge Ben mostra claramente essa renovação. Álbum de retomada, ele traz uma verdadeira coleção de grandes sucessos, como Bebete vãobora, País tropical, Que pena, Cadê Tereza e a dramaticamente poética Charles Anjo 45, retrato antecipado de uma cidade muito mais violenta. Rogério Duprat, o maestro da Tropicália, assina arranjos de Descobri que eu sou um anjo e Barbarella e os dois grupos que seriam essenciais na consolidação do som de Jorge - Originais do Samba e Trio Mocotó - fazem sua estreia.

Retirado do Box Salve, Jorge!, Contracapa o álbum Jorge Ben

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Ben É Samba Bom (1964)


O segundo LP de Jorge Ben Jor em 1964 é essencialmente uma continuação, em conteúdo e estilo, de Sacundin Ben Samba: sambas supersuingados e uma dose farta de bossa nova - Jorge chega a gravar Oba-lá-lá, sucesso de João Gilberto. A presença da bossa irá aos poucos se diluir no caldeirão rítmico do trabalho de Jorge em evolução e os indicadores do caminho futuro estão claros, sobretudo na deliciosamente hipnótica Bicho do Mato. A jazzísitica Descalço no parque e a animada Zop zope também trazem sinais visíveis do estilo-Jorge, enquanto Dandara, hei e Guerreiro do rei antecipam o Ben afro dos anos 70.


Retirado do Box Salve, Jorge!, Contracapa do álbum Ben é Samba Bom

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Sacundin Ben Samba (1964)


Em 1964, a bossa nova estava começando a tomar novos rumos, dividida entre os que cultuavam sua forma cool e limpa e os que buscavam "sujá-la" com as raízes populares do Brasil. O próprio país mudava com o golpe militar, iniciando 20 anos sem direitos civis que marcaram a cultura e a música de duas gerações. Impulsionado pelo enorme sucesso de seu álbum de estreia, Jorge Ben Jor seguia adiante, ele mesmo, seu próprio estilo musical. Esta segunda coleção de composiçõessuas não rendeu sucessos estrondosos como Samba Esquema Novo, mas deixou bem claro (graças a uma sutil, mas eficiente, mudança na mixagem) o coração do trabalho de Jorge - a locomotiva rítmica de seu violão de cordas de aço brilhando, fulgurante, em faixas como Capoeira, A princesa e o plebeu e Jeitão de preto velho.

Retirado do Box Salve, Jorge!, Contracapa do álbum Sacudin Ben Samba

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Samba Esquema Novo (1963)


O primeiro álbum de Jorge Ben Jor aterrisou na música brasileira como um objeto não identificado. O padrão estético era o da bossa nova: cool, complexo e civilizado. Era o ano de "Samba do Avião", "Garota de Ipanema", "Só danço samba", "Samba em prelúdio", "Marcha da Quarta-Feira de Cinzas". Também era o ano de "Parei na contramão", mas isso só faria sentido algum tempo depois. Filho de sambista e fã de rock'n'roll, Jorge trabalhava na noite no Beco das Garrafas, berço da bossa nova, mas também animava festinhas de iê-iê-iê no Catumbi e na Tijuca. Duas composições suas - Mas que Nada e Por causa de você, menina - já tinham sido lançadas num 78 rotações de boa receptividade comercial, mas massacradas pela crítica como "infantil" e "primitivo". Tratamento idêntico foi reservado a Samba Esquema Novo, onde o violão percussivo de Jorge e sua voz peculiar desenhavam mesmo um novo esquema para o samba, meio maracatu (como ele diz em Mas que nada), meio afro, meio rock. Com seus colegas de Beco, Copa 5, como banda de apoio, Jorge apresenta 12 composições, seis das quais se tornariam sucessos e, mais tarde clássicos: Mas que nada (que seria em breve gravada por Sérgio Mendes e seu Brazil 66), Balança Pema, Chove Chuva, Vem, morena, vem, Menina bonita não chora e Por causa de você, menina. Não importava que os críticos dissessem que Jorge "não sabia tocar violão", Samba Esquema Novo vendeu cem mil cópias em duas semanas, fato inédito na época.

Retirado do Box Salve, Jorge!, Contracapa do álbum Samba Esquema Novo

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